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Coerência


Por Denise Alves

Existem dois programa que gosto bastante de assistir, Supernanny (internacional no Fox Life) e O Encantador de Cães (Animal Planet), por coincidência um dia desses assisti aos dois em sequencia e qual foi a minha surpresa ao perceber como o método utilizado pela Supernanny e por César (o nome do encantador) é praticamente o mesmo!!! Exatamente! As técnicas de educação infantil e de adestramento animal são quase idênticas – mas considero que é mais fácil adestrar um cachorro mal criado do que uma criança geniosa.
E no que se baseia a mudança de comportamento proposta? Em autoridade, manutenção e recompensa. Só isso. Explicando: tanto cachorros como crianças precisam entender quem é que manda no local (autoridade), sem isso eles tendem a tomar as decisões por si mesmos e fazer da casa o seu reinado. Assim a primeira tarefa que os apresentadores sugerem aos donos/pais é que eles entendam que precisam se comportar como as reais fontes de autoridade do lugar.
Com essa consciência, segue-se a segunda fase: Manutenção. O que isso significa? Que uma vez estabelecida as regras é preciso mantê-las. Não basta dizer ao bebê que se ele gritar com a irmã vai ficar de castigo, se ele de fato não ficar! De nada vai adiantar a definição dos horários da TV se a mãe diz que não e o pai diz que sim ou vice-versa. E pior: Não adianta dizer para ficar dentro de casa e a criança sair e não ser colocada de volta, mesmo que essa operação se repita 100 vezes.
O mesmo serve para o cachorro – e olha que estou com dois rottweiller em casa e sei o que é isso – se der uma ordem é necessário permanecer nela nem que seja preciso repeti-la 500 mil vezes até eles entenderem que não devem pular no sofá ou fazer xixi na casa toda. E por fim... uma vez obedecido, é hora da recompensa, reforço positivo do comportamento.
Talvez você esteja achando muito cruel comparar as suas crias com as crias de um au-au, mas lembre-se: essencialmente também somos animais e como tal precisamos de treinamento, pois quer seja na fase infantil ou adulta, sempre é possível adquirir um hábito novo através da autoridade-repetição-recompensa.
Poderia me deter em todos os três pontos, mas quero agora tratar especificamente sobre um ponto que está relacionado a questão da autoridade: Coerência. Diz o dicionário que coerência é ligação entre as diversas partes, é união, conexão, harmonia, sequencia lógica.
E isso falta na maioria das pessoas, principalmente nas que tem autoridade sobre algo ou alguém. Voltando às crianças. Um dia elas podem almoçar na sala vendo TV, no outro não pode. Num dia pode sair pra brincar antes de fazer o dever de casa, no outro não pode. Etc. Ou seja, ela nunca sabe de fato o que pode e o que não pode, porque falta coerência aos pais.
O detalhe aqui se torna pior, porque esse pai/mãe também é pastor/líder de grupo e na igreja que ele/a pastoreia, as ovelhas também não sabem o que é e o que não é, porque muda-se de posição conforme a fase da lua. Um dia igreja e política não se misturam, no outro, e bom ter um candidato 'de dentro', na semana passada a prioridade era evangelismo, hoje, todos os esforços estão voltados para o louvorzão. E assim vai dia, semana e mês, sem foco, sem definição de alvo, sem coerência nas decisões.
E sabe o que vai acontecer na igreja? O mesmo que aconteceu com o  cachorro e filhos. Eles vão decidir por eles mesmos o que querem fazer e quando fazer. Porque não há autoridade de fato constituída. “Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?” (1 Timóteo 3:5). E por autoridade lembre-se, não estou falando de nazismo, mas sim de direcionamento, orientação.
Paulo quando exorta Timóteo, o ensina a ser modelo de coerência à igreja de Éfeso. “Sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza.” (I Timóteo 4:12)”. ou como o próprio Paulo dizia: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo. (1 Coríntios 11:1)”. Ou seja, tenha um norte.
E como nos falta exemplos no dia de hoje. Em matéria espiritual somos na grande maioria, formado de crianças/bebês em busca de direção, alguém a quem obedecer, um exemplo a seguir. Mas como confiar se as posições mudam da noite para o dia e parece que estamos todos sem líder, sem Supernannys ou os Encantadores de Cães?
Me parece tão atual a declaração de Jesus: “E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor". (Mateus 9:36)
Infelizmente, este é um palco perfeito para o surgimento do Anti-Cristo, que indiscutivelmente será um líder coerente em matéria de espiritualidade, com o firme propósito de levar as pessoas para longe de Deus. Será a direção errada, mas para muitos pelo menos será uma direção a ser seguida. Por que “Os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz (Lucas 16.8)”.  E o que faremos?

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