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Duas datas especiais

     Quero agradecer a Deus por duas datas especiais, acredito que não sou a única a pensar assim: Ser criança é maravilhoso, ser professora, o que é ser professora? Nos dias hodiernos é um desafio, um prazer ao mesmo tempo!
     Em homenagem aos meus filhos, alunos e colegas professores quero postar aqui o excelente texto de Augusto Cury, desejando que sejamos estimulados a prosseguir e lembrar que podemos ser felizes em meio as adversidades da realidade da educação!
"Não abandone a torre!"

Num tempo não muito distante do nosso, a humanidade tornou-se tão caótica que os homens fizeram um grande concurso. Eles queriam saber qual a profissão mais importante da sociedade. Os organizadores do evento construíram uma grande torre dentro de um enorme estádio, com degraus cravejados de pedras preciosas. A torre era belíssima.Chamaram a imprensa mundial, a televisão, os jornais , as revistas e as rádios para realizarem a cobertura do acontecimento.
O mundo estava de olhos postos no evento. No estádio, pessoas de todas as classes sociais comprimiam-se para ver a disputa de perto. As regras eram as seguintes: cada profissão era representada por um ilustre orador e este deveria(...) fazer um discurso eloquente e convincente sobre os motivos pelos quais a sua profissão era a mais importante na sociedade moderna. A votação era mundial e pela Internet.
Nações e grandes empresas patrocinavam a disputa. A categoria vencedora receberia prestígio social, uma grande soma em dinheiro e subsídios do governo.(...)
O mediador do discurso Bradou: “ O espaço está aberto!”
Sabem quem subiu primeiro à torre? Os educadores? Não! O representante da minha classe, a dos psiquiatras.
Ele subiu à torre e a plenos pulmões proclamou: “ As sociedades modernas tornar-se-ão uma fábrica de stresse. A depressão e a ansiedade são as doenças do século. As pessoas perderam o encanto pela existência. Muitas desistem de viver. A indústria dos anti-depressivos e dos tranquilizantes tornou-se a mais importante do mundo” (...)
O representante dos psiquiatras concluiu: “ O normal é ter conflitos e o anormal é ser saudável. O que seria da humanidade sem os psiquiatras?(...)
No estádio reinou o silêncio. Muitos da plateia olharam para si mesmos e perceberam que não eram alegres, estavam “stressados”, dormiam mal, acordavam cansados, tinham uma mente agitada, dores de cabeça.(...)
Em seguida, o mediador bradou: “O espaço está aberto!”. Sabem
quem subiu depois? Os professores? Não! O representante dos magistrados – os juízes de Direito.
Ele subiu (...) e desferiu palavras que abalaram os ouvintes: “ Observem os índices de violência!(...) Os raptos, os assaltos e a violência no trânsito enchem as páginas dos jornais. A agressividade nas escolas, os maus tratos infantis, a discriminação racial e social fazem parte da nossa rotina. Os ouvintes menearam a cabeça, concordando com os argumentos. Em seguida, o representante dos magistrados foi mais contundente: !O tráfico de drogas movimenta tanto dinheiro como o petróleo. Não há como extirpar o crime organizado.(...)Sem os juízes e os promotores , a sociedade desfalece-se. Por isso , declaro que, com o apoio dos promotores e do aparelho policial, representamos a classe mais importante da sociedade.”
Todos engoliram em seco estas palavras. Elas perturbavam os ouvidos e queimavam a alma(...) Em seguida, o mediador, já a suar de frio, disse: “ O espaço está novamente aberto!”
Um outro representante mais intrépido subiu a um degrau mais alto da torre. Sabem quem foi desta vez? Os educadores? Não!
Foi o representante das forças armadas . Com uma voz vibrante e sem delongas, ele discursou: “Os homens desprezam o valor da vida. Eles matam-se por muito pouco. O terrorismo elimina milhares de pessoas. A guerra comercial mata milhões de fome.(...)As nações só se respeitam pela economia e pelas armas que possuem.Quem quiser a paz tem de se preparar para a guerra. Os poderes econômico e bélico, e não o diálogo, são os fatores de equilíbrio num mundo espúrio.”
As suas palavras chocaram os ouvintes, mas eram inquestionáveis. Em seguida, ele concluiu: “ Sem as forças armadas, não haveria segurança.(...) Os homens das forças armadas não são apenas a classe profissional mais importante, mas também a mais poderosa.” A alma dos ouvintes gelou.(...)
Os argumentos dos três oradores eram fortíssimos. A sociedade tinha-se tornado um caos. (...)
Ninguém mais ousou subir à torre. Em quem votariam?
Quando todos pensavam que a disputa estava encerrada, ouviu-se uma conversa na base da torre. De quem se tratava? Desta vez eram os professores. Havia um grupo deles da pré-primária, do ensino básico, do secundário e do universitário (...) e dialogavam com um grupo de pais. (...)As câmaras de televisão focaram-nos e projetaram a sua imagem numa grande tela. O mediador gritou para que um deles subissem à torre. Eles recusaram-se.
O mediador provocou-os: “ Há sempre covardes numa disputa.” Houve risos no estádio. Fizeram troça dos professores e dos pais.
Quando todos pensavam que eles eram frágeis, os professores, com o incentivo dos pais, começaram a debater as ideias apresentadas, permanecendo no mesmo lugar.(...)
Um dos professores, olhando para o alto, disse ao representante dos psiquiatras: “ Nós não queremos ser mais importante do que vocês. Apenas queremos ter condições para educar a emoção dos nossos alunos, formar jovens livres e felizes, para que não adoeçam e sejam tratados por vocês.” O representante dos psiquiatras recebeu um golpe na alma.
Em seguida, um outro professor (...) olhou o representante dos magistrados e disse: “ Nunca tivemos a pretensão de ser mais importantes do que os juízes. Desejamos apenas ter condições para lapidar a inteligência dos nossos jovens, fazendo-os amar a arte de pensar e aprender a grandeza dos direitos e dos deveres humanos. Assim, esperamos que nunca se sentem no banco dos réus.” O representante dos magistrados tremeu na torre.
Uma professora, ao lado esquerdo da torre, aparentemente tímida, encarou o representante das forças armadas e falou poeticamente: “ Os professores de todo o mundo nunca desejaram ser mais importantes do que os membros das forças armadas. Desejamos apenas ser importantes no coração das nossas crianças. Almejamos levá-las a compreender que cada ser humano não é apenas um número na multidão, mas um ser insubstituível, um ator único no teatro da existência.”
A professora fez uma pausa e completou: “ Assim, eles apaixonar-se-ão pela vida e, quando detiverem o controlo da sociedade, nunca farão guerras, sejam guerras físicas que tiram o sangue, sejam comerciais que tiram o pão. Pois cremos que os fracos usam a força, mas os fortes o diálogo para resolver os seus conflitos. Cremos ainda que a vida é a obra-prima de Deus, um espectáculo que nunca deve ser interrompido pela violência humana.”
Os pais deliraram de alegria com estas palavras. Mas o representante do sistema judicial quase caiu da torre.
Não se ouvia um zumbido na plateia. O mundo ficou perplexo. As pessoas não imaginavam que os simples professores, que viviam no pequeno mundo das salas de aula, fossem tão sábios. O discurso dos professores abalou os líderes do evento.
Vendo ameaçado o êxito da disputa, o mediador do evento disse arrogantemente: “ Sonhadores! Vocês vivem fora da realidade!” Um professor destemido bradou com sensibilidade: “ Se deixarmos de sonhar, morreremos!”
Sentindo-se questionado, o organizador do evento pegou no microfone e foi mais longe na sua intenção de ferir os professores: “Quem se importa com os professores atualmente? Comparem-se com as outras profissões. Vocês não participam das reuniões políticas mais importantes. A imprensa raramente os noticia. A sociedade pouco se importa com a escola. Olhem para o salário que vocês recebem no final do mês!” Uma professora fitou-o e disse com segurança: “ Não trabalhamos apenas pelo salário, mas pelo amor dos seus filhos e de todos os jovens deste mundo.
Irado, o líder do evento gritou: “ A sua profissão será extinta nas sociedades modernas. Os computadores estão a substituí-los! Vocês não são dignos de estar nesta disputa!”
A plateia, manipulada, mudou de lado. Condenaram os professores. Exaltaram a educação virtual. Gritaram em coro: “ Computadores! Computadores! Fim dos professores” O estádio entrou em delírio repetindo esta frase. Sepultaram os mestres. Os professores nunca tinham sido tão humilhados. Golpeados por estas palavras, resolveram abandonar a torre. Sabem o que aconteceu?
A torre desabou. Ninguém imaginava, mas eram os professores e os pais que seguravam a torre. A cena foi chocante. Os oradores foram hospitalizados. Os professores tomaram então outra atitude inimaginável: abandonaram, pela primeira vez, as salas de aula..
Tentaram substituí-los por computadores, dando uma máquina a cada aluno. Usaram as melhores técnicas de multimédia. Sabem o que aconteceu?
A sociedade desabou. As injustiças e as misérias da alma aumentaram mais ainda. A dor e as lágrimas expandiram-se A prisão da depressão, do medo e da ansiedade atingiu grande parte da população. A violência e os crimes multiplicaram-se.(...)
Estarrecidos, todos compreenderam que os computadores não conseguiam ensinar a sabedoria, a solidariedade e o amor pela vida. O público nunca pensara que os professores fossem os alicerces das profissões e o sustentáculo do que é mais lúcido e inteligente em nós. Descobriu-se que o pouco de luz que entrava na sociedade vinha do coração dos professores e dos pais que arduamente educavam os seus filhos.(...)
Perceberam que a esperança de um belo amanhecer repousa em cada pai, cada mãe e cada professor e não sobre os psiquiatras, os juízes, os militares, a imprensa...(...) _ eles são a esperança do mundo.
Perante isto, os políticos, os representantes das classes profissionais e os empresários fizeram uma reunião com os professores em cada cidade de cada nação. Reconheceram que tinham cometido um crime contra a educação. Pediram desculpas e rogaram que eles não abandonassem os seus filhos.
Em seguida, fizeram uma grande promessa. Afirmaram que metade do orçamento que gastavam com armas, com o aparato policial e com a indústria dos tranquilizantes e dos antidepressivos seria investida na educação. Prometeram resgatar a dignidade dos professores, e dar condições para que cada criança da Terra fosse nutrida com alimentos no seu corpo e com o conhecimento na sua alma.(...)
Os professores choraram.(...) Há séculos que eles esperavam que a sociedade acordasse para o drama na educação. Infelizmente, a sociedade só acordou quando as misérias sociais atingiram patamares insuportáveis.
Mas, como sempre trabalharam como heróis anônimos e sempre amaram cada criança, cada adolescente e cada jovem, os professores resolveram voltar para a sala de aula e ensinar cada aluno a navegar nas águas da emoção.
Pela primeira vez, a sociedade colocou a educação no centro das suas atenções.(...)
Os jovens já não desistiam da vida. Já não havia suicídios. O uso das drogas dissipou-se. Quase já não se ouvia falar de transtornos psíquicos e de violência. E a discriminação? O que era isso? Já ninguém se lembrava do seu significado(...) O medo dissolveu-se, o terrorismo desapareceu, o amor triunfou.
As prisões tornaram-se museus. Os polícias tornaram-se poetas. Os consultórios de psiquiatria esvaziaram-se. Os psiquiatras tornaram-se escritores. Os juízes tornaram-se músicos. Os promotores tornaram-se filósofos. E os generais? Descobriram o perfume das flores, aprenderam a sujar as suas mãos para as cultivar.
E os jornais e as televisões do mundo? O que noticiavam, o que vendiam? Deixaram de vender mazelas e lágrimas humanas. Vendiam sonhos, anunciavam a esperança...
Quando se tornará esta história realidade? Se todos sonharmos este sonho, um dia ele deixará de ser apenas um sonho.

Meus queridos alunos do 1º ano "A"

Meu sincero agradecimento aos pais por nos confiar seus tesouros(filho)!
Meu tesouro (Rízia Tafnes)
Meu tesouro(Râmeses Morais)

Um comentário:

  1. Irmã Rosângela, que maravilha!
    vejo que Deus te concedeu este talento especial, de ser professora e onde for estará sempre rodeada por alunos queridos, que realmente demonstram o que sente e isso é gratificante!!
    Que o senhor te inspire a cada dia nessa sua jornada.

    Bjão.

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